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Doença Respiratória Bovina dá prejuízo, mas tem tratamento

A DRB é um dos principais desafios da pecuária mundial, especialmente nos sistemas mais intensivos de produção. A doença, que é multifatorial, acontece por um desequilíbrio entre as defesas naturais das vias respiratórias superiores dos bovinos, o que favorece a proliferação local dos agentes infecciosos e sua migração para os pulmões. Dentre os agentes causadores da DRB no Brasil, os mais relevantes são bactérias que habitam naturalmente as vias respiratórias superiores destes animais. Assim, quando há um desequilíbrio entre o sistema imune local, elas podem se multiplicar de maneira oportunista e migrar para os pulmões. A multiplicação bacteriana por si promove um quadro inflamatório local, que é agravado devido a produção de substâncias locais, como toxinas, que atraem e destroem células inflamatórias do organismo e agravam ainda mais o problema.

Os principais prejuízos da Doença Respiratória Bovina são observados em toda a cadeia produtiva da bovinocultura nacional, independente se de leite ou de corte. Além do aumento da taxa de mortalidade provocado pela doença, outro prejuízo que atinge as duas cadeias produtivas é o atraso no desenvolvimento comprometendo a vida produtiva dos animais afetados.

“Na produção de leite, as bezerras que infelizmente passaram pela DRB irão produzir menos leite na sua primeira lactação e terão maior tendência à distocia no parto. A taxa de descarte destes animais também é aumentada, o que pode frustrar o investimento realizado para a produção.  Já nos animais de corte acometidos, também haverá comprometimento no desempenho geral. Nos confinamentos, o ganho de peso médio diário (GMD) é severamente comprometido, obrigando um maior tempo para o alcance do peso desejado para o abate e reduzindo o rendimento e a qualidade das carcaças”, afirma o médico veterinário Marcos Malacco.

Fatores que predispõem à DRB estão, em sua maioria, relacionados às situações que promovem estresse nos animais, como a formação de novos lotes, transportes por longas distâncias e que racionam água e bebida, e a mistura de animais de origens diversas. Mas o excesso de poeira e a formação de gases tóxicos, dentre eles a amônia e outros gases produzidos pelo acúmulo de material orgânico (urina, fezes e alimentos) também podem irritar nas vias aéreas superiores dos bovinos, favorecendo a queda da imunidade local e o surgimento de episódios da doença. A acidose metabólica que pode ocorrer com as trocas de dieta também é fator importante para a ocorrência da DRB no rebanho.

“O período de maior incidência de surtos de DRB nos confinamentos de bovinos de corte correspondem aos primeiros 45 dias de confinamento do gado, especialmente nas 2 ou 3 primeiras semanas. Durante esse período é importante que as rondas sanitárias sejam mais criteriosas, sendo recomendada a sua realização pelo menos duas vezes ao dia. Nas rondas é importante que se entre nos currais e estimule os animais a se levantarem e caminhar, assim é possível perceber alguns sinais indicativos da DRB, como cansaço, relutância em caminhar, tosse, espirros, além de outros sinais como a desidratação (“olhos fundos”), lacrimejamento, corrimento nasal …”  explica.

A prevenção da doença pode ser feita com vacinas contra os principais agentes virais das doenças respiratórias e vacinas contra agentes bacterianos que participam do agravamento da doença. O protocolo ideal de vacinação engloba a primeira dose e a dose de reforço para as vacinas inativadas. É possível também realizar um protocolo de metafilaxia, com a utilização de um agente antimicrobiano que atua contra os principais agentes da DRB e que possa proteger os animais por período prolongado (8 e 15 dias), associado à primeira dose de uma vacina inativada. Essa estratégia possibilita dar ferramentas para o organismo do animal produzir anticorpos contra os agentes da DRB enquanto o agente antimicrobiano promove proteção ao animal.

No tratamento da DRB duas abordagens são de grande importância, o combate à infecção e a redução do processo inflamatório, que na maioria das vezes é o mecanismo que agrava sobremaneira o quadro e tem alto potencial de levar o animal afetado ao óbito. Um outro aspecto importante é que o tratamento deverá ser iniciado o mais rapidamente possível, assim que for identificado o quadro. Animais tratados tardiamente, já com a doença avançada, respondem pior ao tratamento.

Foto: Andrey Câmara / Unsplash

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