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Calagem na segunda safra amplia oferta de nutrientes aos grãos

A soja colhida dá espaço ao milho, e o ciclo se repete da safra para a segunda safra, a safrinha, como muitos a conhecem. Em Mato Grosso, apelidar esse ciclo produtivo usando o diminutivo chega a soar estranho, dadas as dimensões gigantes de suas mais de 36 milhões de toneladas do grão. E para obter o que se espera em produtividade, a recomendação ao produtor rural passa pelo planejamento adequado do manejo do solo, incluindo calagem e adubação corretas. Cuidado que deve ser redobrado em áreas de alta acidez nos solos, como é o caso do Cerrado mato-grossense e de outras áreas identificadas no país.

“O sistema soja/milho segunda safra ou “milho safrinha” apresenta níveis de produtividade muito variáveis, a depender das características regionais envolvendo solo e clima, das épocas de semeadura das duas culturas e do nível de manejo empregado pelos produtores. O gerenciamento das adubações é um ponto chave para sustentar boas produtividades e, embora se tenha relatos frequentes de áreas com elevados rendimentos, a ocorrência de falhas no suprimento de nutrientes é mais comum do que se imagina”, destaca grupo de pesquisadores da Embrapa em artigo sob o título Manejo de nutrientes no cultivo de milho segunda safra na região do cerrado.

A receita da alta performance em produtividade passa pelo trato conferido ao solo e pela nutrição disponível às plantas no início do ciclo produtivo. Dois fatores indissociáveis, destacam engenheiros agronômicos. É preciso, safra após safra, assegurar a reposição de nutrientes e trabalhar o perfil de solo, camada compreendida abaixo dos 20 centímetros de profundidade, favorecendo o surgimento de raízes mais profundas e vigorosas, mais resistentes ao estresse hídrico imposto pelos períodos de poucas chuvas. E para que isso aconteça, a agricultura tem um grande aliado: o calcário.

De olho no calendário

Aqui, um ponto de atenção ao produtor rural: não basta aplicar o calcário. É preciso compreender como esse insumo reage no solo. Em contato com o solo, o calcário corrige o pH, o que permite que macro e micronutrientes se tornem mais absorvíveis pelas raízes. Mas esse fenômeno não ocorre instantaneamente. E é por isso que a calagem requer planejamento, devendo ser adotada dentro de um protocolo de rotina de cuidados com a produtividade, com aplicações tanto na safra quanto na safrinha.

Na prática, aplicar o calcário logo após o plantio do milho não beneficia simplesmente a cultura de segunda safra, e sim, já prepara o terreno para a soja que sucederá a lavoura, assegurando mais nutrição às plantas da leguminosa que movimenta o Agro mato-grossense rumo aos mercados internacionais.

A aplicação de calcário deve ser orientada por um profissional, preferencialmente embasada em análises de amostras de solo, customizadas para cada área. Dessa forma, o produtor tem a garantia de que os solos receberão a quantidade necessária do insumo para que os benefícios da correção da acidez e do consequente estímulo à maior disponibilidade de cálcio e magnésio às plantas.

Segunda Safra

Em Mato Grosso, dados do Instituto Mato-grossense Economia Agropecuária (IMEA) sinalizam que praticamente toda a semeadura do milho está efetuada (99,58%, conforme boletim divulgado em 26 de março). No comparativo com a safra anterior, constata-se um ligeiro atraso, fruto das chuvas intensas, que fizeram com que a colheita da soja se estendesse um pouco mais este ano. De acordo com os últimos levantamentos do Instituto, a estimativa de área de milho segunda safra em Mato Grosso é de 5,69 milhões de hectares.

 

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