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Cana: Setor defende mercado livre para compra da bioenergia

Em mais um dia de eventos presenciais, a 28ª Fenasucro & Agrocana abordou como o mercado da bioenergia se atualizou ao longo das décadas, porém ainda há desafios a serem sanados para amparar o setor. O assunto foi tema central do Seminário CEISE Br./UNICA, que debateu os 35 anos da bioeletricidade no Brasil.

Newton Duarte, presidente da Associação da Indústria de Cogeração de Energia — COGEN, explicou que ao longo dos anos, o país aprimorou a capacidade para gerar eletricidade por meio dos subprodutos da cana-de-açúcar, mas ainda enfrenta um desafio antigo: o de operar livremente no mercado.

“É inexorável que tenhamos um novo mercado nos próximos anos, com modernização e versatilidade, mas para isso precisamos de leis que garantam o livre mercado. O governo limita a venda de bioenergia, mas se apropria da geração de lucro, deixando de repassar aos fornecedores, que são impedidos de vender no mercado livre”, disse Duarte.

Segundo ele, trata-se de uma apropriação indébita, já que a produção acima do limite fixado pelo Ministério de Minas e Energia não pode ser negociada livremente pelas usinas de biomassa.

O pensamento também é compartilhado pelo gerente comercial de Energia BP Bunge Bioenergia, José Pineiro, que reforça a necessidade de uma abertura do mercado, sem a intervenção do governo. “Essa discussão deve vir acompanhada da valoração dos produtos que serão negociados em um mercado cada vez mais livre. Queremos jogar de igual para igual com todos os setores. E mesmo com todas as limitações nós seguimos avançando”.

De acordo com dados da Empresa de Pesquisa em Energia (EPE), o Brasil tem grande potencial na geração de energia a partir de fontes renováveis. Até 2031, a produção de biogás deve chegar a 7,1 bilhões de Nmᶟ. E para o biometano, de 3,8 bilhões de Nmᶟ.

Essa é a previsão para um mercado que processa a cana e produz subprodutos, ou seja, há uma matéria prima farta que pode, inclusive, suprir a carência externa, como pontua, Samuel Custódio, Gerente comercial de energia elétrica da Tereos – Açúcar & Energia Brasil. “Podemos ser provedores de energia e de combustível para outros países”.

Ele cita, ainda, o plano da Tereos, de até 2030, ter 100% da frota de caminhões rodando exclusivamente com biometano, eliminando, assim, a dependência do diesel. “O Brasil já vive um déficit de diesel, então imagine suprir isso com uma fonte nacional e que é renovável? O mercado produtor precisa de garantias para se desenvolver e acessar novos mercados”, relatou.

Hidrogênio verde é promessa

Ainda nesta quarta-feira (17) a Feira Internacional de Bionergia recebeu autoridades, que destacaram o potencial da bioeletricidade, do hidrogênio verde e, também, da sustentabilidade gerada pelo setor.

O ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil, Marcos Pontes, enalteceu o potencial de energia renovável do Brasil, que é de 74%, comparado ao de outros países (26%). “Isso não nos deixa tranquilos, pois ainda precisamos investir bastante no desenvolvimento de tecnologias, trabalhando também em toda cadeia produtiva. É preciso sustentabilidade em todo circuito”, declarou.

Ele ainda disse que o hidrogênio verde é a grande aposta para o futuro. E que para isso é preciso haver, primeiramente, a transição do combustível fóssil para o uso de biocombustíveis com elétrico. “Temos a tecnologia para essa transformação e o Brasil tem tudo para ter muito sucesso como um dos maiores produtores de hidrogênio verde”, afirmou.

Já o presidente da Frente Parlamentar do Setor Sucroenergético, Arnaldo Jardim, apontou a Fenasucro no importante contexto de retomada do setor e, também, os desafios. “Isso porque nos leilões de energia temos tido dificuldades e competitividade. Estabelecemos uma nova norma para GD [Geração Distribuída] e esperamos que isso dê um equilíbrio de disputa. Mas, queremos mesmo garantir competitividade àquilo que vem da energia oriunda da biomassa”, disse. “Sobre o biogás, vimos que a cana do açúcar passou a ser a cana do etanol, da bioeletricidade e, agora, a nova fronteira: biometano e biogás. Junto com a UNICA e a Cogen conseguimos formular um projeto que institui o marco regulatório para o biogás. É uma alegria ver que as nossas empresas estão se preparando para esta nova realidade. Queremos avançar muito neste setor”, completou.

O prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira, também destacou os 35 anos de avanço da bioeletricidade e do setor como um todo, que promoveu transformações profundas na matriz energética brasileira e paulista. “O mundo todo respira e transpira as questões da sustentabilidade. As empresas já estão incorporando a sustentabilidade e a agenda ESG, em busca das boas práticas. Precisamos disso para sobrevivermos e vivermos com qualidade”, concluiu.

Foto: Divulgação / Phábrica de Ideias

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