Pecuária

Reposição escassa e alta dos insumos deixam confinadores cautelosos

Os pecuaristas brasileiros vivem no campo um momento de dilema. Enquanto o entusiasmo é grande por conta da arroba atingindo patamares históricos, em algumas praças passando até de R$ 260,00, por outro lado, é visível a preocupação quanto à reposição e alta dos insumos. Este foi o cenário observado pelas equipes do Confina Brasil, iniciativa da Scot Consultoria que tem como objetivo mapear a pecuária intensiva no Brasil.

A expedição já percorreu quase 10 mil quilômetros de muito asfalto e estrada de chão, conhecendo a verdadeira realidade de produtores de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Até o momento as equipes visitaram 76 confinamentos que, juntos, somam uma capacidade estática superior a 570 mil bois.

De acordo com Olavo Bottino, médico veterinário e diretor técnico do Confina Brasil, em MS foi identificado que os produtores têm mais oportunidade de oferta de matéria-prima, ou seja, boi magro. Com isso, os confinamentos na região têm grande potencial de crescimento. Entretanto essa realidade já muda em SP e MT, com a escassez de animais para a reposição. “Muitos dos produtores entrevistados estão assustados. Os mato-grossenses, por exemplo, além da dificuldade de achar boi magro, os que encontram, estão muito mais caro que o planejado para este ano”, ressalta.

Dieta comprometida

Com relação à nutrição dos animais confinados, a equipe de técnicos da expedição identificou duas importantes diferenças. Devido à maior disponibilidade de milho, a maioria dos confinamentos de MS utilizam o cereal na dieta. “Também vimos no Estado, muitos confinadores utilizando soja e o caroço de algodão na alimentação da boiada”, ressalta o diretor técnico.

Ainda segundo o profissional, já em SP a dieta é caracterizada pela influência das indústrias regionais, pois os produtores paulistas usam os coprodutos das fábricas que têm maior disponibilidade, como por exemplo, a polpa cítrica e o melaço de cana. Também foi observado a utilização predominante do bagaço e silagem de cana-de-açúcar como volumoso.

Além disso, eles também relataram outro desafio: a alta nos preços dos insumos, realidade também evidenciada em MT com forte valorização dos grãos. “Muitos confinadores afirmaram que devido a essa dificuldade, boa parte dos animais terminados estão tendo até quatro dietas diferentes em 100 dias de confinamento. Por conta dos altos valores e, principalmente, da falta de disponibilidade de insumos, o produtor tem que ir substituindo pelas ofertas de insumos disponíveis, reformulando as dietas com outros concentrados e isso acaba prejudicando o desempenho final dos animais”, diz Marco Túlio Habib Silva, diretor de marketing da Scot Consultoria.

A expedição continua

A equipe do Confina Brasil continua o mapeamento em Mato Grosso e depois segue para Goiás e Minas Gerais. A expedição tem patrocínio da BB Seguros, Boehringer Ingelheim, John Deere, Nutron/Cargill e UPL. Além disso, o projeto conta com o apoio institucional da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Unesp Jaboticabal, Hospital de Amor de Barretos e a Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), entidade que representa os confinadores de gado de corte e demais integrantes da cadeia produtiva da carne bovina.

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