Agricultura

Algodão MT: o maior e o melhor

O Estado de Mato Grosso é líder na produção e Mato Grosso do Sul é campeão em rendimento dessa fibra que ultimamente tem mostrado muita força em termos de preços e de mercado.

Em Mato Grosso, a estimativa da área para a safra 2010/2011 chega a 703,80 ha – ou 64,40% maior que a área verificada na safra anterior – que deverá render 2.681.500 toneladas de algodão em caroço.

Neste ano safra, a Conab estimou um incremento de 59,07% na área de Mato Grosso do Sul, ou 61,4 mil ha no total, que deve render em média 3.677,55 quilos por hectare de algodão em caroço.

Os marcos históricos de área em MT remontam à safra 1996/1997 a qual registrava 55,2 mil ha, que saltou para 109,9 mil ha na safra 1997/1998; logo depois, no período 1998/1999 a área destinada ao cultivo somava já 203,3 mil ha.

Do ano safra de 2000/2001 até este de 2010/2011, o Estado de Mato Grosso registra uma média de 442,2 mil hectares (ha) cultivados com o algodão, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão vinculado ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). No entanto, a estimativa da área para a safra 2010/2011 chega a 703,80 ha – ou 64,40% maior que a área verificada na safra anterior – que deverá render 2.681.500 toneladas de algodão em caroço.

Já Mato Grosso do Sul gira em torno de uma área 46,3 mil ha. Neste ano safra, a Conab estimou um incremento de 59,07% na área, ou 61,4 mil ha no total. E não se trata de uma área qualquer, mas sim de uma capaz de garantir uma média de 3.677,55 quilos por hectare (kg/ha) de algodão em caroço, isso se considerar os resultados desde a safra 2000/2001 – trata-se do melhor rendimento averiguado pela Conab em todo o País.

Mato Grosso do Sul foi justamente o Estado escolhido pelo pai de Walter Schlatter para dar continuidade à produção agrícola da família que se baseava na soja e algodão. “Em Chapadão do Sul (MS), nossa produção começou em 1995 para 1996. Meu pai já plantava algodão no Estado do Paraná desde a década de 1970. Aí, nós transferimos nossa propriedade para MS. (…) O Grupo Schlatter foi o pioneiro no cultivo nessa região no norte de Mato Grosso do Sul”, afirma o produtor.

Atualmente a região norte de Mato Grosso do Sul é o destaque da produção algodoeira. Além de Chapadão do Sul, também há força no cultivo da fibra os municípios de Costa Rica e São Gabriel do Oeste. “Nesses municípios o cultivo é feito dentro de uma visão de sistemas de produção”, ressalta Fernando Mendes Lamas, pesquisador na área de sistemas de produção de algodão da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados (MS). “Essa cultura é desenvolvida fundamentalmente em áreas onde anteriormente havia sido cultivada soja. Nessas regiões temos pouca monocultura, normalmente o algodoeiro é cultivado dentro de uma visão de sistemas de produção na qual estabelece uma rotação de culturas. Isso é o que faz a diferença em termos de produtividade. Fazem parte desse sistema de rotação a soja, o algodão e o milho, mas, predominantemente a soja”.

O estabelecimento de um programa de rotação de culturas serviu como um motor para a produtividade sul-mato-grossense. Exemplo disso é o trabalho feito pelo Grupo Schlatter, que já detinha uma certa especialidade na cultura da fibra. “Saímos do Paraná com as culturas de soja e algodão e viemos trabalhar em Mato Grosso do Sul. Primeiro com a soja e milho, depois entrou o algodão. (…) Uma palavra interessante que meu pai falava e sempre passou para nós era diversificação e não só pensar em escala”, relembra Schlatter. Além de Chapadão do Sul, o grupo também produz em Costa Rica e nos municípios de Chapadão do Céu e Mineiros no Estado de Goiás. “Em MS, temos uma área em torno de 9 mil ha, desses, 6 mil ha são reservados para o cultivo do algodão. (…) Quanto aos preços praticados atualmente, eles incentivaram aumentar a nossa área em 25% da safra de 2009/2010 para esta de 2010/2011. Só que para a safra 2011/2012 vou manter a área, porque os preços parecem já dar sinais de recuo”.

Clima e solo

A escolha do algodão em MS se deveu à cultura se encaixar adequadamente no programa de rotação de culturas, além disso, o retorno econômico se destaca como satisfatório atualmente. “Se pegarmos uma média histórica, o algodão dá um lucro para o agricultor 2,5 vezes maior do que a soja e quatro vezes maior do que o milho”, compara Lamas.

As condições de clima e solo muito favoráveis ao cultivo do algodoeiro também são responsáveis pelo alto rendimento por hectare. De acordo com o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, o período de chuvas bem definido, compreendido de outubro a abril, permite que o algodão seja colhido numa época do ano em que a probabilidade de ocorrência de chuva seja extremamente baixa, isso assegura um produto de elevada qualidade.

Outro fator preponderante para o desenvolvimento da cultura algodoeira em MS foi a migração das áreas cultivadas do sul para o norte do Estado. “Lá no sul tinha uma mudança climática – uma diferenciação no clima. Isso ocorreu por volta de 2000 pra cá, mais ou menos, e foi para o norte onde há um clima mais definido. Nós temos um verão com chuvas a partir de outubro e cessam em abril (…), aí temos os meses de maio, junho e julho para fazer a colheita. Isso possibilita ter uma safra cheia pelo fato de não ter muita perda por excesso de chuva. Aliado a esse período de pluviosidade bem definido também temos uma altitude favorável para o cultivo. Hoje, os melhores algodões do País estão nas regiões mais altas, de 700 metros a 800 metros acima do nível do mar”, acrescenta Schlatter.

Gigante de fibra

Assim como em Mato Grosso do Sul, a cultura algodoeira foi introduzida em meados da década de 1990 em Mato Grosso em função de servir também como uma opção de rotação. “Nessa época, apareceu uma doença na soja, chamada cancro da haste, e a única alternativa para conviver com a doença era a partir do estabelecimento de rotação de culturas, pelo fato de não haver variedade de soja resistente”, explica Lamas. “Foi a partir daí que o algodão entrou no Estado – e encontrou por lá uma predominância de condições de clima e solo extremamente favoráveis à produção, e encontrou também na região um produtor com altíssima capacidade empreendedora”, destaca. Este aspecto foi também responsável pelo surgimento da primeira entidade de classe que congregava produtores de algodão do Brasil, a Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampa). “Ela foi, inclusive, a semente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa)”, afirma Lamas.

Os marcos históricos de área em MT remontam à safra 1996/1997 a qual registrava 55,2 mil ha, que saltou para 109,9 mil ha na safra 1997/1998; logo depois, no período 1998/1999 a área destinada ao cultivo somava já 203,3 mil ha e continuou crescendo.

A importância econômica da fibra fez surgir a primeira iniciativa do País que beneficiava a cotonicultura mato-grossense. A partir do Programa de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalmat), criado pela Lei Estadual 6.883 de 02/06/1997 e regulamentado pelo Decreto nº 1.589 de 18/07/1997, os cotonicultores tinham redução de 75% do ICMS do produto. O fundo foi criado na gestão de Dante Martins de Oliveira (governador nos mandatos de 1995 a 1999 e de 1999 a 2002).

“MT tem um potencial enorme. Para se ter uma ideia lá são cultivados seis milhões de hectares de soja no verão. Então, se fosse utilizado um porcentual de 10% a 20% dessa área para fazer rotação, o Estado poderia passar facilmente da casa de 1 milhão de hectares cultivados com algodão, tranquilamente”, estima o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste.

Aliado ao profissionalismo dos produtores da região, outro destaque vai para a predominância de grandes grupos na produção algodoeira. Sobre este aspecto explica-se o alto uso de tecnologias para sustentar ainda mais a pujança do Estado.

O ciclo do maior e do melhor

Mato Grosso. A época de semeadura vai de dezembro até fevereiro. A colheita vai de junho a até final de agosto, ou mesmo setembro. O custo total da lavoura gira em torno de R$ 4.500 por hectare.

Mato Grosso do Sul. O período de plantio se concentra em dezembro e a colheita vai de junho a agosto. A Conab, estima que o custo, por exemplo, em Chapadão do Sul, fique por volta de R$ 4.700 por ha. Em ambos Estados, o que mais impacta é o custo de fertilizante, agrotóxico, inseticida, herbicida e fungicida.

Fios de muita qualidade

A fibra de algodão tem alguns parâmetros, como por exemplo, sua finura, a qual é expressa pelo índice micronaire. O ideal é que o algodão tenha esse índice entre 3.9 e 4.2, e o algodão dessa região do Cerrado está dentro desses limites. Quanto ao comprimento da fibra, o que se registra em média são fios entre 32 milímetros (mm) e 34 mm. A uniformidade de comprimento é superior a 85% e a resistência é superior a 20 gramas força por tex. “Isso quer dizer uma fibra bem resistente e o que a indústria têxtil quer comprar. No entanto a qualidade de fibra é influenciada tanto pela variedade plantada como pelas condições ambientais, então, hoje, são produzidas e cultivadas variedades que permitem a obtenção de fibras de boa qualidade”, conclui Lamas.

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