O Brasil encerrou a SIAL Shanghai 2026 com a maior participação de sua história na feira. Coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a delegação nacional reuniu 82 empresas expositoras, distribuídas em cinco pavilhões, e consolidou a presença brasileira em uma das principais vitrines globais do setor de alimentos e bebidas.
O número representa um avanço importante em relação à edição anterior, quando 54 empresas brasileiras participaram da feira. A ampliação da delegação, entre 2024 e 2026, mostra uma presença mais robusta e diversificada do Brasil no mercado chinês, com espaço não apenas para setores já consolidados, como proteínas, mas também para cafés especiais, frutas amazônicas, bebidas, mel, castanhas, alimentos processados e produtos da sociobiodiversidade.
Mais do que o resultado financeiro, estimado em US$ 2,1 bilhões em negócios imediatos e futuros, o balanço da edição aponta para um ganho estratégico: o Brasil levou mais empresas, ampliou a variedade de produtos apresentados e fortaleceu o contato direto entre exportadores nacionais e compradores asiáticos.
Para a coordenadora de Agronegócios da ApexBrasil, Paula Soares, a participação recorde confirma a consistência do trabalho de aproximação com o mercado chinês. “A SIAL China 2026 mostrou um Brasil mais diverso, mais preparado e mais presente. O crescimento no número de empresas participantes é um resultado concreto da estratégia da ApexBrasil de abrir espaço para diferentes perfis de exportadores, dos setores tradicionais às cooperativas e aos produtos com identidade regional e maior valor agregado”, afirma.
A edição de 2026 também marcou a estreia, na China, do programa Cooperar para Exportar. A iniciativa levou à SIAL um pavilhão exclusivo dedicado à agricultura familiar, com dez cooperativas de diferentes regiões do país. O grupo apresentou ao público chinês produtos como açaí, cafés especiais, castanhas, mel, vinhos, polpas de frutas e alimentos ligados à biodiversidade brasileira.
A presença das cooperativas deu novo peso à participação brasileira. Em uma feira com mais de 5 mil expositores e cerca de 180 mil visitantes profissionais, pequenos produtores tiveram a oportunidade de testar produtos, construir contatos e entender melhor a dinâmica de um dos mercados consumidores mais relevantes do mundo.
O açaí foi um dos destaques dessa agenda. Produtores da Amazônia apresentaram produtos derivados da fruta, atraíram a atenção de compradores chineses e conquistaram um prêmio inédito de inovação. O reconhecimento reforça o potencial de alimentos brasileiros associados à origem amazônica, à sustentabilidade e à diferenciação no mercado internacional.
A premiação também sinaliza uma mudança na forma como o Brasil se apresenta em grandes feiras internacionais. A estratégia não se limita à escala de produção. Passa, cada vez mais, por valorizar origem, qualidade, rastreabilidade, inovação e diversidade regional.
A SIAL Shanghai 2026 foi realizada entre 18 e 20 de maio, no Shanghai New International Expo Center. A agenda brasileira incluiu rodadas de negócios, degustações, encontros com compradores e fóruns empresariais. O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, também participou do Import & Export Food Forum, dentro da programação oficial do evento.
Com a participação recorde, a ApexBrasil encerra a edição de 2026 com um saldo de expansão institucional e comercial. O Brasil saiu da feira com mais empresas expostas ao mercado chinês, maior diversidade de produtos apresentados e uma presença inédita da agricultura familiar em uma das vitrines mais disputadas do setor de alimentos e bebidas no mundo.
Foto: Divulgação ApexBrasil / FSB Comunicação
