Pecuária

Sanidade – cuidado deve se manter mesmo no fim das águas

Uma situação atípica fez a precipitação em algumas localidades, principalmente nas regiões norte e nordeste do país, se manter inalterada. Esse fato até que poderia passar como sem importância, mas quando trazido para o contexto da atividade pecuária e, principalmente se focarmos o campo do controle sanitário dos rebanhos é preciso olhar com muito mais atenção.

Para Márcia Cristina Pena de Oliveira, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste de São Carlos, SP, o controle dos parasitas dentro das propriedades, em qualquer situação que se apresente, deve ser conseguido por meio do uso de medidas de prevenção, utilizando racionalmente os carrapaticidas e vermífugos no rebanho. No caso específico dos ecto-parasitas, carrapatos e bernes, a pesquisadora apresenta algumas medidas para controlar a população desses agentes na pastagem, principal via de contaminação do rebanho.

Cristina descreve algumas técnicas já comumente utilizada nas fazendas e que apresentam ótimos resultados segundo ela, descanso das pastagens, banhos estratégicos com carrapaticidas são algumas das práticas, porém esses processo devem sempre ter o acompanhamento de um veterinário. “É muito importante que o pecuarista tenha em mente a importância do adequado controle sanitário dos animais, por meio de vacinações contra as principais doenças que costumam acometer o rebanho”, fala.

Outro aspecto muito importante é a manutenção do estado nutricional dos animais, já que quando não estão bem alimentados ficam mais vulneráveis a infestação de doenças. A pesquisadora salienta que a erradicação total dos parasitas do rebanho não é um aspecto interessante, pois deixa os animais muito vulneráveis aos agentes da Tristeza Parasitária Bovina, TPB, em caso de uma re-infestação.

O combate a esses agentes deve se concentrar nos meses em que as temperaturas estão mais altas, devido facilidade de reprodução que esses agentes em ambientes quentes e úmidos. Para que os tratamentos apresentem resultados satisfatórios, alguns aspectos precisam ser observados. A escolha do produto deve ser feita, com base em exames laboratoriais que indiquem os mais eficientes para cada propriedade. No caso específico dos carrapatos, a pesquisadora mostra que muitos rebanhos já mostram resistência dessa população aos princípios ativos usados nos carrapaticidas, tornando ineficaz o controle.

O descanso das pastagens, também pode e deve ser utilizado como no controle do parasitas, principalmente na fase de vida livre. Isto de deve ao fato de só uma pequena parte da população permanecer no hospedeiro. ” A ausência de animais nas áreas de pasto é benéfica porque propicia o seu desenvolvimento e com a ausência dos bovinos, as formas larvarias não conseguem evoluir para os estágios seguintes e morrem”. “Porém, a pesquisadora observa que esse método é pouco eficiente, porque as larvas de algumas espécies de parasitas podem sobreviver por meses se as condições de ambientais forem favoráveis”.

Segundo Cristina, uma alternativa para o controle é a utilização de raças de bovinos mais resistentes aos parasitas. ” As raças de origem zebuína apresentam resistência natural a ação tanto de ecto como endoparasitas, o que não ocorre com raças européias”, observa. Uma técnica que vem sendo utilizada nas propriedades brasileiras com resultados satisfatórios é o controle sanitário estratégico. Esse método consiste em aproveitar a fase de vida livre do parasita para combate-lo.

Paulo Colla, médico veterinário e gerente técnico de mercado operação grandes animais da Merial Saúde Animal, o manejo sanitário no rebanho deve ser realizado de modo a compreender todo o ano, ou seja, distribuir as aplicações para uma no início do período de seca; uma segunda dosagem no meio da seca e uma terceira dose será dada no início da chuvas. Assim explica é possível um controle epidemiológico bem mais eficiente.

De acordo com o médico o clima é um fator que interfere na fase de vida livre do parasita. Neste período o pecuarista deve evitar de mandar o boi para as mangas fazendo assim um controle natural da população desses agentes na pastagem.

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