Agricultura

É preciso quebrar o ciclo

A permanência de insetos sugadores no campo de uma cultura para a outra favorece o surgimento de viroses, que são porta de entrada para doenças fúngicas na lavoura. Novo produto chega ao mercado para lidar com esse problema.

 

Juliana Massoni

O manejo integrado de pragas no Brasil evoluiu muito. Hoje, não se trata mais apenas de uma cultura ou de um único inseto. A nova realidade, cada vez mais relevante para a agricultura em sistemas de rotação, como soja, milho e algodão, é manejar a produção como um todo.
Em muitas regiões produtoras, essas culturas ocupam a mesma área em sucessão ou estão presentes simultaneamente na paisagem agrícola. Nesse contexto, o manejo fitossanitário não pode considerar apenas aquilo que acontece dentro dos limites de uma única lavoura ou durante uma única safra. Insetos sugadores como a cigarrinha, a mosca-branca e o pulgão representam desafios importantes para os produtores rurais.
“Hoje em dia é muito difícil você olhar de maneira isolada para o inseto vetor, porque existe uma ponte verde muito intensa em todas as regiões do Brasil. Você tem soja em cima de milho, em cima de algodão, em cima de feijão. Além isso, você tem janelas de plantio, às vezes, de 60 dias dentro de uma mesma região. Às vezes, numa mesma área está sendo plantado o algodão, enquanto ainda está colhendo soja. Com isso, a mosca branca da soja pode migrar para o algodão. Ou na própria fazenda: colheu, plantou, e o hospedeiro continua ali”, afirma Juliana Massoni, gerente de portfólio inseticidas na BASF Soluções para Agricultura. De acordo com ela, é muito complicado hoje fazer esse gerenciamento. Existem diversos fatores que impedem o isolamento: “O manejo que os vizinhos fazem também tem grande influência. Esses insetos têm hábitos migratórios e se multiplicam muito rápido. É importante que todos os produtores estejam fazendo o manejo correto para que se consiga interromper o ciclo da praga antes que ela vire um problema ainda maior”.

 

Juliana explica que é importante deixar de olhar para o manejo “cultura por cultura”. O caminho é considerar o sistema produtivo como um todo: “O feijão, por exemplo, é uma cultura que não tolera a mosca-branca. Se ele vai suceder a soja, o produtor precisa garantir que o controle tenha sido bem feito, para não começar a cultura do feijão subsequente com o dano do mosaico dourado, prejudicando a produtividade”, explica.
Outra cultura que sofre com a mosca-branca é o algodão. O inseto produz uma saliva que açucara o botão. E quando a pluma é colhida e vai para beneficiamento na indústria têxtil, muitas vezes, pode até provocar danos nas máquinas e parar toda a produção. “O cotonicultor tem que estar muito atento. Hoje está tão crescente esse desafio que as indústrias já não estão nem pegando mais algodão com esse tipo de problema”, alerta Massoni. Diante de todos esses desafios, ter uma tecnologia que possa ser utilizada em diferentes culturas, traz ao produtor vantagens na construção de programas de manejo de resistência. É nesse contexto que chegou ao mercado Efficon®, um novo produto, com uma tecnologia que facilita muito o manejo dentro do sistema soja-milho-algodão.

“É uma inovação da BASF a nível global. É uma molécula nova, a base de Axalion®, que é o Dimpropyridaz, que traz uma eficiente ferramenta no manejo de resistência”, afirma a especialista, revelando o grande diferencial do produto, que é o Efeito Freeze. “Essa é justamente a cereja do bolo do novo produto. Diferente dos inseticidas convencionais, com Efficon® os insetos ficam paralisados em poucos minutos, não conseguindo se movimentar e se alimentar e logo morrem, e o mais importante: param de transmitir as viroses. Diferente dos produtos de choque, que não controlam a essência do problema, e com a migração constante de insetos na lavoura, o dano continuará existindo”, explica, acrescentando que é muito importante o produtor entender todo esse processo. Juliana explica que a grande vantagem do uso do produto é a sua flexibilidade, podendo ser usado em todas as principais culturas: “Como a gente tem uma sequência muito forte de ponte verde, basicamente, não temos intervalos. Plantou, colheu, plantou, colheu. Os insetos, muitas vezes, ficam hospedados nas plantas daninhas pós-colheita e a hora que o produtor vem com o plantio em cima, o inseto vetor já está ali para transferir a virose para o plantio subsequente. Você não tem hoje uma interrupção do ciclo da praga e os insetos vetores se multiplicam muito rápido”. Por essa razão, o Efficon® se torna uma peça importante dentro do manejo integrado de pragas (MIP).
“Temos um desafio grande no campo, que é identificar rapidamente a ocorrência da virose causada por um inseto vetor. Hoje, o produtor precisa de um laboratório. E, quando identifica, muitas vezes já é tarde demais. Por isso, a aplicação preventiva tem grande importância”. O uso de Efficon® ajuda a evitar que os insetos vetores consigam gerar dano na planta e abrir portas para fungos como o Cercospora e o Septoria, causadores de muitos prejuízos à lavoura.
O novo produto chega num momento muito importante do mercado, num ano especialmente complicado pelo efeito forte do El Niño, onde a seca deve trazer grande incidência de pragas, principalmente no cerrado. “A BASF tem a solução, que vai ajudar o produtor a vencer mais esse desafio”, finaliza.

Fotos: Freepik

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