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PÊSSEGO - O MAIS PRECOCE DO PAÍS!:
rev 141 - novembro 2009

Enquanto produtor de pêssego aumenta produção da fruta, o de ameixa diminui a cada ano devido a doença sem controle. Entre as 235 mil toneladas (t) de pêssego colhidas no Brasil, 120 mil provém do Rio Grande do Sul, líder absoluto, tendo o Estado de São Paulo a segunda colocação, com 43 mil t, significando aproximadamente um terço do RS. Em questão de produtividade, SP também fica na segunda colocação, com 20 t por hectare (ha), mas neste quesito, o líder é Minas Gerais, com 25 toneladas por ha. Isso se deve a plantação extremamente extensiva no Sul, o que diminui a produtividade. Waldir Parise é um dos produtores mais conhecidos de São Paulo, produz cinco variedades diferentes, rendendo 900 t anualmente. No início, há 12 anos, foram plantados quatro ha e a produção foi aumentando até chegar em 30 ha da fruta.

O Sítio Santo Antonio, localizado em Jarinu, a 65 quilômetros da capital, colhe os primeiros pêssegos brasileiros toda safra. “Jarinu tem o pêssego mais precoce do Brasil devido ao clima e as variedades. A primeira a ser colhida é a Flor de Prince, em meados de agosto”, comenta o produtor. Além de pêssego, Parise também cultiva ameixa e banana prata. “Já produzi diversas frutas, mas a cada ano invisto mais no pêssego, porque o nome ‘Pêssego Parise’ ficou conhecido em todo o Brasil. É mais vantajoso comercializar apenas o pêssego”, afirma.
As demais variedades produzidas no sítio são a Trop Beaut, Aurora, Douradão e a Chiripa. A colheita se inicia em julho, com a Flor de Prince e vai passando pelas demais variedades até o fim de dezembro com a Chiripa. “A ideia é ter diversas variedades para poder colher durante um longo período e ter a fruta por mais tempo para oferecer”, esclarece Parise. A média paulista de produtividade é de 20 t por ha, mas a do produtor chega a 35 t/ha, dependendo da variedade.
Para atingir tal produtividade, Parise utiliza a fertirrigação, garantindo também a sanidade das plantas. “Não temos grandes problemas na lavoura de pêssego, fazemos a microaspersão em toda a lavoura, conseguindo livrar as plantas de doenças e irrigando-as adequadamente”, explica. A microaspersão consiste em um sistema de irrigação localizado onde a água é liberada através de microaspersores próximo ao sistema radicular das plantas. O maior problema enfrentado no pessegueiro são passarinhos que consomem o fruto, deixando-o inegociável. Os demais problemas variam ano a ano. “Nesta safra estou reparando problemas com a podridão-parda, que é um fungo que se desenvolve com o excesso de chuvas”, comenta. O responsável pelo problema é o fungo Monilinia fructicola, que neste ano destruiu diversos frutos, mas o prejuízo não chega a ser significativo. Em anos normais, nos quais a quantidade de chuva não é tão grande como em 2009, esse problema não aparece. “Mas o pessegueiro não apresenta muitos problemas com doenças, fungos e pragas, é uma cultura tranquila”, completa. Na propriedade, o produtor tem um sistema de classificação de sete tipos de frutos através do peso. Além disso, é a única propriedade em São Paulo que conta com uma máquina capaz de lavar a fruta retirando os “pelinhos”, que envolvem o pêssego. Quando a quantidade colhida é superior à demanda, as frutas ficam armazenadas em um refrigerador a 5°C. As frutas podem ser mantidas lá por 15 dias, mas procura-se deixar o mínimo de tempo possível, para não perder a qualidade. “Quando temos de usar a refrigeração, vamos revezando para as frutas não passarem de cinco dias no local”, explica.
Os pêssegos são vendidos para diversas regiões brasileiras, inclusive no Sul do País, na época em que ainda não se encontra pêssego na região. Parise não comercializa para indústria, já que estão instaladas no Sul, devido a maior concentração de pessegueiros, lá.

Ameixas

Perto dali, também em Jarinu, o produtor Sérgio Ferrara tem uma produção bem diferenciada de Parise, já que ao invés de investir em uma única cultura, investe em diversidade para manter o trabalho o ano inteiro. “Eu toco o sítio todo com meu filho e apenas mais um funcionário. Procuro ter plantações de diferentes épocas de plantio e de colheita, para termos trabalho o ano todo e não sobrecarregar em nenhum momento, até porque a mão de obra por aqui anda bem difícil”, reclama.
Segundo ele, conseguir trabalhador na época de colheita está ficando cada vez mais difícil. Há cinco anos (na safra 2004 da ameixa), a maior que o produtor já colheu, foi o último ano que não teve problemas para encontrar funcionários. De lá pra cá, mesmo com menor necessidade de pessoas, está mais difícil encontrar gente disposta a trabalhar na lavoura.
Nos 38 hectares do Sítio Santo Antonio II, Ferrara já teve 2.000 pés de ameixa da variedade Rubinel, mas hoje tem apenas 700, devido a escaldadura, uma doença causada pela bactéria Xylella fastidiosa, que começa secando os galhos mais altos da planta e vai atacando até a raiz, perdendo completamente a produtividade. Segundo o produtor, a doença apareceu na região por volta de 2002 e piora a cada ano. “Depois de colher a última safra, derrubei mais de 500 pés devido ao ataque da bactéria. O problema é que não existe nenhum método de controle. Não tem bactericida, variedade resistente, nem alguma técnica de manejo que possa amenizar o problema”, explica Ferrara. A Embrapa chegou a visitar a propriedade com intenção de colher amostras em busca de solução para a doença, mas já faz quatro anos e ainda não foi detectada nenhuma solução.
Atualmente, a média de produtividade é de 30 quilogramas (kg) por planta, menos da metade conquistada em 2004, quando a média foi de 84 kg. “Dava para conviver com todas as outras pragas e doenças existentes na lavoura, mas essa está acabando com o pomar. Não tem mais o que fazer, se continuar assim, devo derrubar todos os pés em mais três anos. Só não faço isso antes, porque o problema é geral e o preço da ameixa deve ser cada vez melhor”, supõe o produtor. Atualmente, Ferrara colhe o fruto ainda amarelo do pé e o coloca em uma caixa refrigeradora com gás etileno, que amadurece o fruto entre 12 e 36 horas, dependendo da época que foi colhido.

Decopon

Com a queda cada vez mais acentuada na produção de ameixa, o produtor passou a dar espaço para o pêssego, hortaliças diversas, lichia, milho e a decopon, que é uma espécie de tangerina poncã, só que é maior e sem semente. Essa fruta é originária do Japão e por mais apetitosa que pareça com quase 1 quilo cada, não conquistou o consumidor brasileiro. “Parece que as pessoas não conhecem a fruta. Ela é doce, é bonita e apesar de ser cara, poderia ter mais espaço no mercado”, avalia Ferrara.
Ela começa a dar frutos em junho e atinge o pico em julho, mas continua oferecendo frutos até dezembro, época que já estão nascendo os botões, que é o momento de fazer o raleio dos frutos, que é a seleção dos melhores. Ferrara tem 260 pés de decopon, e cada um rende 50 kg da fruta por ano. A “tangerina gigante” não é barata e pode ser encontrada nos supermercados com valor superior a R$ 2,00 a unidade.


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