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INOCULANTE - RAIZ MAIS FORTE!
rev 140 - outubro 2009

Embrapa detecta inoculante voltando para gramíneas, um importante material para os produtores que ainda não tinham essa opção em culturas importantes, como milho, arroz e trigo. Produtores de milho, trigo, aveia, sorgo, arroz, centeio e demais gramíneas já podem contar com um inoculante para a semeadura destas culturas. Após cinco anos de pesquisas realizadas pela Embrapa Soja, de Londrina (PR) – em conjunto com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) – foram selecionadas seis estirpes da bactéria Azospirillum brasiliense, capaz de melhorar o desenvolvimento radicular da planta e, consequentemente, potencializar a fixação biológica do nitrogênio (N).

Segundo a pesquisa, as plantas inoculadas com a bactéria tiveram aumentos médios de 25 a 30%, no caso do milho, em comparação com as não inoculadas. As pesquisas foram produzidas tanto na Embrapa Soja, como na UFPR, o que trouxe diferentes rendimentos “Como a bactéria aumenta o poder de absorção da raiz, vai depender do solo para determinar o grau de desenvolvimento da planta, por isso que tivemos resultados diferentes entre as plantações na Embrapa e na universidade”, explica Rubens José Campo, pesquisador de biotecnologia do solo, da Embrapa Soja, responsável pela pesquisa.
Já no caso do trigo, o incremento ficou entre 8 e 11%. Não foram realizados testes em outras culturas, mas segundo Campo, qualquer tipo de gramínea deve se beneficiar com a bactéria. Entre as seis estirpes, quatro são mais produtivas para a cultura do milho e quatro para o trigo. As pesquisas se encerraram em 2004, e as informações ficaram disponíveis para empresas com interesse em elaborar produtos comerciais. A Stoller do Brasil foi uma das que desenvolveu, por exemplo, o Masterfix Gramíneas, que, segundo a empresa, pode significar a redução de 50% do uso de nitrogênio químico.
O uso de inoculantes pode aumentar a produtividade e também diminuir os gastos com fertilizantes, responsáveis por boa parte dos custos do agricultor, já que são compostos por cerca de 70% de nitrogênio. Dependendo da cultura, os gastos com o produto podem representar até 40% dos custos totais com a lavoura. Estima-se, que o inoculante pode resultar em uma economia de até 1 bilhão de dólares por safra, considerando 13 milhões de hectares (ha) cultivados. Apesar dos números, os pesquisadores não esperam que os produtores substituam fertilizantes por inoculantes, já que o uso combinado pode trazer maiores níveis de produtividade.
Pesquisas mostram que, ao usar o inoculante, pode reduzir em 50% o uso de fertilizantes para se manter a produtividade. Com isso, o produtor pode escolher se prefere diminuir o custo de produção ou se prefere manter a quantidade de fertilizantes e aumentar a produtividade.
O nitrogênio é o principal nutriente na maioria das culturas, como no milho, que extrai cerca de 217 kg de nitrogênio por ha. “O nitrogênio é fundamental para o desenvolvimento da planta, sem ele, não adianta ter todos os outros nutrientes e micronutrientes em quantidades suficientes. Sem o N, a planta não desenvolve tudo o que poderia”, explica Campo.
Ao inocular sementes, o produtor está realizando um processo que mantém a lavoura classificada como “orgânica”, o que significa que o produto é uma ótima ferramenta aos produtores do ramo, que têm dificuldade de encontrar produtos para aumentar a produtividade.

Meio Ambiente

Além de ser um produto considerado natural e contribuir com o meio ambiente, ele ajuda a diminuir o uso de fertilizantes, que pode ser um grande inimigo da natureza ao ser mal utilizado. Isso se deve ao nitrato, elemento resultante do produto. O nitrato é o vestígio dos adubos químicos e acaba chegando ao lençol freático, contaminando a água e o solo da região quando usado em excesso.
O uso abusivo de fertilizantes é responsável por parte das emissões de gás carbônico (CO2) no planeta. O excesso de fertilizantes provoca a emissão de óxido nitroso (N2O), que é 300 vezes mais forte que o CO2, em relação a mudança climática. O Brasil não tem problemas com o uso excessivo do produto, diferentemente como no caso da China, já que o governo daquele país subsidia o produto buscando incentivar a produtividade agrícola, o que resulta em uso abusivo pelo produtor e na degradação do meio ambiente.
O produto Maxterfix já está sendo comercializado a R$ 10,00 dose/hectare, e a empresa tem capacidade para produzir 300 mil doses por mês. Ele é vendido na forma líquida e sólida. Os pesquisadores alertam para a aplicação e manuseio do produto, já que se trata de microorganismos vivos. “O produtor deve tomar todos os cuidados que se toma na inoculação da soja, por exemplo. O sol, a umidade, e o prazo entre a aplicação e a semeadura devem ser muito bem observados pelos agricultores”, comenta o pesquisador.
Além dessa pesquisa, a Embrapa continua estudando o assunto em busca de novos inoculantes. “No momento, temos ensaios sob condições controladas e de campo onde 60 estirpes pré-selecionadas estão sendo avaliadas como candidatas a inoculantes, além da participação da Embrapa Milho e Sorgo em rede de ensaios de testes de inoculantes formulados pela Embrapa Agrobiologia”, comenta o pesquisador Ivanildo Evódio Marriel, da área de eficiência de uso de nitrogênio da Embrapa Milho e Sorgo.


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