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MILHO SAFRINHA I - CULTURA DE OPORTUNIDADES
rev 144 - fevereiro 2010

A safrinha que era antes um complemento à produção do milho ganha de vez espaço nos campos da produtividade

    Introduzida pelos agricultores com o objetivo de se ter mais opção de cultivo para o período de inverno e, hoje porque não, na época de verão, o milho safrinha – em alguns Estados – se tornou tão importante que substituiu quase que completamente o cultivo do trigo, por exemplo. De acordo com a Embrapa Milho e Sorgo, situada em Sete Lagoas (MG), a safrinha é hoje responsável por 20 a 25% da colheita total de grãos no País. Porém, dois fatores foram importantes para que isso ocorresse. O primeiro está relacionado às necessidades técnicas de rotação de cultura com a soja (porém, com a vantagem de se reduzir o tempo entre as safras de verão) e de produção de cobertura morta para solo no sistema de plantio direto. Assim, a safrinha, na maioria das vezes, passou a ser plantada em sucessão à soja, logo após a colheita desta. O segundo fator diz respeito à crescente pressão de demanda por milho, principalmente, no período de “entressafra” causando, consequentemente, elevação dos preços destes grãos neste período. “É importante destacar que a safrinha, só é possível em regiões onde as chuvas se estendem um pouco, como nos Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e parte de Minas Gerais. A cultura para muitos agricultores é conhecida como a safra da oportunidade e da região certa ao seu cultivo”, diz Jason Duarte, economista e pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.

    A safrinha, que é plantada além dos limites dos Cerrados, não tem um período pré-fixado para seu plantio, como o milho de safra normal, que é plantado no início das chuvas. A safrinha é uma cultura que pode ser desenvolvida de janeiro a abril, normalmente após a soja precoce e, em alguns locais, após o milho de verão e o feijão das águas. No entanto, especialistas advertem: as condições climáticas são fatores de grande importância para o sucesso da cultura. Segundo a Embrapa Milho, por ser plantada no final da época recomendada, a safrinha tem sua produtividade bastante afetada pelo regime de chuvas, por fortes limitações de radiação solar e temperatura na fase final de seu ciclo. Além disso, como a safrinha é cultivada após uma cultura de verão, a sua data de plantio depende da época da plantação da cultura antecessora e de seu ciclo. Assim, o planejamento da safrinha começa com a cultura de verão, visando liberar a área o mais cedo possível.
    Na opinião do pesquisador da Embrapa e economista também da Associação Brasileira de Milho e Sorgo, pelas vantagens da cultura da safrinha fica até mesmo difícil prever uma redução na safra 2009/2010. “No passado, o que aconteceu foi apenas uma retração no plantio de verão, mas a previsão é que permaneça as mesmas de época anteriores e que ocorra até um aumento significativo. Hoje, as principais culturas concorrentes, como o algodão, estão com problemas na comercialização. Muitos produtores não fecharam as contas e, na dúvida, apostaram no milho”, enfatiza Jason Duarte.

Dados da Safrinha
    De acordo com os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados na segunda semana de janeiro de 2010, com o plantio das culturas de primeira safra de verão (algodão, arroz, feijão, milho e soja) praticamente encerrado, a área de plantio nesta safra está estimada em 47,88 milhões de hectares, superior em 0,4% ou 208,4 mil hectares à da safra 2008/09 (lembrando que a pesquisa realizada na segunda quinzena de dezembro/ 2009 e considerando a metodologia utilizada, ou seja, mantendo a mesma área plantada das culturas de verão de segunda e terceira safras em 2008/09 e dos Estados das regiões Norte e Nordeste, onde o plantio ainda não teve início). Em termos porcentuais, a primeira safra de milho apresentou a maior retração (-10,7%), ou menos 989,5 mil hectares de área, explicado pelo excesso do produto no mercado e pelos preços praticados abaixo do esperado pelos agricultores. Com relação à produtividade, a prevista para esta primeira safra deve ficar em 3.906 kg/ hectares, 7,6% maior que a alcançada na safra 2008/09.
    Ainda segundo o quarto levantamento da Conab, apesar da variação, a cultura do milho está bastante tecnificada, fazendo com que a produtividade nessa safra tenha experimentado aumentos crescentes em relação às anteriores. “Até o momento, o clima é favorável na maioria das regiões produtoras, não ocorrendo atrasos na semeadura e com desenvolvimento vegetativo, floração e o enchimento dos grãos transcorrendo normalmente”, pontua o presidente da Conab, Wagner Rossi.

Fatores determinantes
    Segundo dados da Associação Brasileira de Milho e Sorgo, hoje, o milho safrinha é preferência dos produtores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, regiões que até pouco tempo não detinham grande representatividade para a cultura da safrinha. “O que aconteceu em Mato Grosso foi um crescimento significativo nos últimos três anos. Hoje, ele é o terceiro colocado na produção de safrinha. No ano passado, por causa da estiagem no Paraná, Mato Grosso abocanhou mais espaço no mercado”, comenta Jason Duarte. “Porém, o Paraná é o maior produtor de milho do Brasil. Em 2008, mesmo com geadas ocorridas em junho, com quebra de produção, grandes cooperativas do Estado registraram maior recebimento do grão de sua história”, pontua.
    Outro fator importante citado pelo economista para o aumento da cultura é o uso dos transgênicos, que reduz efetivamente o uso de defensivos na lavoura. “Houve um acréscimo de 30%, ante a cultura anterior, com o uso das sementes transgênicas. Em regiões produtoras, além de enfrentarem problemas com o clima, os agricultores faziam de 12 a 14 aplicações de inseticidas, para controle de lagartas do cartucho, gerando custo que praticamente inviabiliza a atividade. Hoje, já uma redução significativa com a utilização do milho geneticamente modificado”, diz.

Preço e Mercado
    Segundo o presidente da Conab, o mercado está em fase de recuperação de preços no Centro-Sul, embora nos Estados do Centro-Oeste os preços praticados ainda estejam abaixo do preço mínimo oficial. Os preços comercializados na Região Sul situam-se entre R$ 17,00 e R$ 19,00 a saca de 60 kg e na Região Centro-Oeste entre R$ 10,00 e R$ 13,00 a saca.
    Para Jason Duarte, o comportamento cíclico dos preços é normal e é influenciado pelo início da colheita da safrinha. “O que houve foi uma mudança no comportamento do produtor, que antes ofertava toda a sua produção logo após a colheita, o que congestionava os canais de comercialização e provocava queda acentuada de preços. Agora o produtor segura mais e vende em parcelas menores, garantindo a estabilidade dos preços”, assegura.
    Hoje o milho, seja ele safra ou safrinha, é ainda a grande locomotiva que move a agroindústria de aves e suínos. “A indústria de alimentação animal no Brasil já responde pelo consumo de mais de 60% do milho no País e prevê cada vez a absorção do grão, com previsão otimista de um aquecimento do mercado, com o aumento do consumo de proteína animal e particularmente da demanda internacional. Isso é o que testemunha a carne de frango, cuja exportação cresce ano a ano. Seu sistema de produção responde pelo consumo de rações de milho (em mais de 50%)”, conclui.


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