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É PRECISO CONHECER BEM O SOLO!
rev 70 - outubro 2003

Estas limitações podem ser tanto químicas como físicas. As limitações físicas tais como sulcos de erosão, trilheiros de gado e compactação devem ser corrigidas previamente.

As limitações químicas devido á acidez do solo e deficiência de nutrientes normalmente são corrigidas pela calagem e adição de nutrientes, via fertilizantes. Os Latossolos, predominantes na nossa região, são originalmente ácidos e pobres em nutrientes, necessitando, portanto, de calagem e correção de fósforo e potássio.

Inicialmente, devemos realizar a coleta de amostras de terra para verificarmos o estado nutricional do solo e calcular as quantidades de calcário e nutrientes necessários para a correção. As amostras devem ser retiradas nas profundidades de 0 a 20 a 40 cm, as quais poderão se retiradas com pá, trados ou enxadão. A profundidade abaixo dos 20 cm serve para detectarmos se há alumínio nesta camada. Se houver, é aconselhável utilizar gesso agrícola visando a neutralização deste alumínio.

A alternativa mais viável para correção da acidez do solo e suprimento de cálcio e magnésio é o uso da calagem. A calagem proporciona também o aumento da capacidade de troca de cátions ( CTC) a qual aumenta a disponibilidade dos nutrientes nitrogênio, fósforo, enxofre e molibdênio para as plantas. Para que a calagem seja eficiente, devemos ter cuidados com a época e forma de aplicação, a qualidade e as doses do produto. O calcário necessita de uma reação química para neutralizar a acidez do solo. Para que esta reação seja eficiente, deve haver umidade suficiente no solo e maior contato possível das partículas de calcário com as do solo.

Por isso que é importante a calagem antes do início do SPD. Para a incorporaçao do calcário, deve-se aplicar gradagem pesada, seguida de aração e uma ou mais gradagens niveladoras, visando melhor incorporação e distribuição do calcário no perfil do solo. Para quantidades maiores que 5t/ha, recomenda-se dividir a aplicação em duas etapas. Chamamos a atenção para que as quantidades de calcário recomendadas são para corrigir a camada de 20 cm de profundidade. Nos solos onde a camada subsperficial ( abaixo de 20 cm), apresentarem saturação por alumínio maior que 20% e/ou o teor de cálcio for menor que 60% na CTC (menor que 0,5 emole dm-3) é aconselhável a utilização de gesso agrícola. A aplicação deve ser feita á lanço, sem incorporação.

O fósforo é o nutriente mais limitante dos solos sob Cerrado. Os solos da nossa região possuem também muita caulinita e óxidos de ferro e alumínio, que são minerais que possuem alto poder de fixação de fósforo. Consequentemente, a maior parte do fósforo do solo está numa forma pouco disponível para as plantas. Para melhorarmos o aproveitamento do fosfato aplicado via fertilizantes, devemos antes da sua aplicação, diminuirmos a capacidade do solo de fixar este fertilizante. Esta diminuição da fixação de fósforo é conseguida com a utilização da calagem e, pelo aumento do teor da matéria orgânica (daí a importância da cobertura permanente do solo).

A aplicação inicial á lanço tem-se mostrando mais eficiente, pois facilita o desenvolvimento do sistema radicular das plantas em maior volume de solo. A longo prazo, o método de aplicação de fósforo não é muito importante porque a produção ocorre em função do total aplicado. Considerando que as fontes de fósforo são recursos naturais não renováveis, é essencial utilizá-las de forma eficiente. Nos primeiros anos de estabelecimento do SPD, as fontes de fósforo devem ser as mais solúveis em água. Posteriormente, é possível utilizar fontes menos solúveis em água, porém, sua eficiência agronômica deve ser semelhante ao superfosfato triplo ou superfosfato simples.
Devido ás baixas reservas de potássio nos solos sob Cerrado e á grande extração deste nutriente pela plantas, a adubação potássica é a melhor forma de suprir este nutriente. Normalmente, recomenda-se aplicação de potássio no sulco de semeadura, principalmente em solos possuem baixa capacidade de retenção de potássio.

Entretanto, doses maiores que 60 Kg ha-1 de K2O devem ser feitas parceladas, aplicando-se metade da dose no sulco e a outra metade á lanço, no período de maior exigência das culturas, evitando-se assim o perigo de selinização ou desidratação das sementes, ou as perdas por lixiviação.

Os micronutrientes desempenham papéis importantes no metabolismo vegetal, agindo como constituintes dos compostos ou como reguladores do funcionamento de sistemas enzimáticos. A deficiência de micronutrientes ocorre devido á baixa fertilidade natural dos solos, aumento da produtividade das culturas, cultivares com alto potencial de produção associados á alta demanda de micronutrientes, uso de calcário e adubos fosfatados. Os principais fatores que influenciam na disponibilidade dos micronutrientes são: textura, matéria orgânica, pH, umidade do solo, e internações entre nutrientes. Quando detectada a dificiência, as aplicações via solo têm efeito residual mais prolongado, sendo portanto preferíveis ás foliares.


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