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FLÁVIO
ALBIM é jornalista e diretor de redação
da Revista Rural impressa e do Programa Revista Rural, com
mais de 25 anos de experiência na comunicação
rural, e responsável pela edição e elaboração
de diversos veículos de comunicação voltados
para o agronegócio. Responsável pela Revista
Rural desde 1997.
O
"legítimo" amigo da onça!
Trabalho
visa acabar com a luta entre os pecuarista e a pintada.
A história é simples, e previsível:
a ocupação das terras no Brasil Central para
o desenvolvimento da atividade agrícola e pecuária,
provocou uma drástica redução nas áreas
de floresta do cerrado. Sem ter mais para onde fugir e, com
escassez de alimento causado por um desequilíbrio na
fauna da região, animais como a onça pintada,
correm sério risco de ter sua população
reduzida a níveis alarmantes.
Mas,
os problemas decorridos da falta de cuidados com a preservação
ambiental não param por aí. Sem comida, a onça
acaba encontrando nas pastagens próximas ao seu habitat
a oportunidade atacar rebanhos bovinos.
Isso acaba provocando prejuízos que levam os pecuaristas
a temer a vizinhança a caçá-la sem dó.
Atenta a questão, o Fundo para a Conservação
da Onça-Pintada desenvolve linhas de pesquisa que têm
como focos centrais o monitoramento contínuo de populações
de onças-pintadas na natureza.
O FCOP é a primeira ONG brasileira a trabalhar com
compensação financeira para reparar prejuízos
causados a rebanhos domésticos por onça-pintada.
De acordo com o biólogo Leandro Silveira, presidente
do Fundo, o monitoramento de populações permite
avaliar, ao longo do tempo, se as populações
estão aumentando, diminuindo ou estão estáveis.
Este monitoramento é desenvolvido atualmente em três
áreas dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal.
O Fundo para a Conservação da Onça-Pintada
foi criado em junho de 2002 e tem como missão conservar
este felino, suas presas e habitats ao longo de sua área
de distribuição, assim como promover sua coexistência
pacífica com o homem. É a primeira e única
ONG dedicada especificamente a conservação da
onça-pintada no Brasil. A entidade tem sede na região
do Parque Nacional das Emas, em Goiás.
Animados com a recente ajuda financeira da Monsanto que, no
primeiro ano, fez um aporte de US$ 83 mil, a ONG faz planos
ambiciosos para o futuro. Segundo Leandro Silveira, o recurso
será aplicado no levantamento de informações
históricas e atuais sobre a distribuição
da onça-pintada no Brasil e permitirá, através
de seu mapeamento, traçar estratégias de conservação
para a espécie. "Parcerias como a da Fundação
Monsanto são essenciais para o desenvolvimento de projetos
como este, já que os recursos do Governo são
limitados e extremamente burocráticos", declara.
A onça-pintada pode atingir até 130 quilos,
e precisa de um território de 25 a 50 quilômetros
quadrados para viver. Grande predadora, a onça-pintada
inclui em sua cadeia alimentar animais como gado bovino e
cachorro doméstico, anta, cervo-do-Pantanal, ariranha,
macacos, porcos-do-mato, cágados, jacarés e
capivaras
A grande maioria dos casos de predação de animais
domésticos por felinos selvagens refletem o desequilíbrio
no ecossistema local. Os felinos não têm como
hábito natural atacar animais domésticos se
o ambiente onde vivem lhes oferece áreas suficientemente
grandes para sobreviver, com recursos alimentares suficientes.
Sendo assim, a ausência ou diminuição
das presas naturais podem resultar no início dos ataques
aos animais domésticos em áreas limítrofes
entre unidades de conservação e propriedades
rurais. Esta perseguição acontece inclusive
dentro de unidades de conservação, o que faz
com que atualmente as onças ocorram em áreas
bastante inacessíveis, onde existam dificuldades em
serem caçadas.
Destas espécies, a onça-pintada é a que
tem um futuro mais ameaçado por ter uma distribuição
mais restrita.
Até a década de setenta, as populações
de onça-pintada se viram fortemente afetadas pelo comércio
internacional de peles. Atualmente, a expansão humana,
com suas conseqüentes pressões de utilização
de terras, perda de habitats e caça oportunista têm
limitado a onça-pintada a uma fração
de sua distribuição original. A onça-pintada
já se extinguiu nos Estados Unidos, El Salvador, Uruguai,
Panamá e Argentina.
Hoje, ela ocupa apenas 33% da sua área de distribuição
original na América Central e 62% na América
do Sul. Parte do problema se deve a percepção
de que a mera presença destes felinos implica necessariamente
em ataques ao gado, tornando conveniente seu extermínio
mesmo na ausência de casos de ataques na região.
Este erro de conceito pode por em, risco a existência
desta espécie em pouco espaço de tempo.
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