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VERMINOSES - A ESTRATÉGIA CERTA É A PREVENÇÃO
rev 123 - maio 2008

Um dos principais problemas enfrentados em rebanho de gado leiteiro é a verminose. Existem 13 vermes que atacam o sistema respiratório do animal (pulmões) e o digestivo (abomaso, intestinos delgado e grosso). Para controlar o problema, a melhor forma é a prevenção.

Os bezerros são os que mais sofrem com os vermes porque ainda não possuem anticorpos. Os sintomas são a perda de peso, pêlo arrepiado, tosse e, em alguns casos, diarréia. “O que ele (bezerro) come não é suficiente, porque tem parasita espoliando o animal”, afirma Antônio Cândido Ribeiro, veterinário da Embrapa Gado de Leite. O parasita se alimenta do que o animal consome enfraquecendo o gado. E isso atinge diretamente o bolso do produtor.

Sem peso, as novilhas demoram mais para ter condições de saúde para emprenhar e conseqüentemente dar leite. Além disso, “se foi muito contaminada durante o desenvolvimento, não será boa (produtora) no futuro”, afirma Rodrigo Fávare, gerente de produtos antiparasitários da Pfizer. Uma novilha com bom desenvolvimento pode parir com 24 meses, já outra que tenha sofrido com verminose pode atingir os 36 meses sem parto.

Para o controle dos vermes, muitos produtores acabam usando vermífugos só quando o gado já está com sérios problemas de saúde. Com esse tipo de tratamento – se é que podemos chamar de tratamento – o gado deixa de ganhar peso por um logo período, pois os sintomas demoram a aparecer.

O proprietário terá dois prejuízos. Um com o custo da aplicação do medicamento e outro com a queda na produção dessa novilha no futuro. “Para isso não ocorrer, o que você tem de fazer é um tratamento preventivo”, destaca o veterinário da Embrapa. Com esse tipo de trabalho, os custos com vermífugo são recompensados com mais crias, lactação precoce, e maior produção de leite.

Vicente Leonardo Pires Eustachio, de 31 anos, é proprietário da Fazenda Ipê, localizada no município de Casa Branca, no Interior de São Paulo. Nos oito anos de produção de leite o gado já teve graves problemas com verminose no rebanho dele.

Há quatro anos, “usava (vermífugos) sem critério. Não tinha um planejamento para isso. Usava quando o problema já estava instalado. No gado jovem, elas (as novilhas) não ganhavam peso e tossiam muito por causa dos vermes pulmonares”, explica o produtor.

Devido a esse problema, o veterinário do pecuarista sugeriu mudança no tratamento das verminoses. Vicente passou a utilizar o controle estratégico que é uma prevenção. Com isso, as novilhas têm a primeira parição com cerca de 25 meses.

O tratamento

Há diferenças na aplicação de vermífugos nos animais jovens e nas vacas leiteiras. Os animais mais velhos passam 10 meses dando leite, depois ficam cerca de 50 dias secos até o nascimento do bezerro. No período sem lactação, as vacas devem ser vermifugadas faltando 20 dias para o parto, pois são nesses últimos dias que o animal fica mais vulnerável.

Já o tratamento dos bezerros deve ser mais intenso porque a ausência de anticorpos os deixa vulneráveis o ano inteiro. Na Fazenda Ipê, as novilhas são medicadas a cada bimestre. Intercala-se o uso de dois vermífugos com princípios ativos diferentes para que os parasitas não se tornem resistentes a nenhum deles. Mas essa não é a forma ideal para especialistas no assunto.

Rodrigo Fávare, gerente de produtos antiparasitários da Pfizer, explica que há diferentes épocas para aplicação e o que determina é o clima da região. “A regra geral é concentrar os tratamentos no período seco”, afirma Fávare. Para ele, o ideal seriam três aplicações durante o período seco e mais uma no meio do período das chuvas. “Mas não recomendamos usar um único produto ao longo do ano”, aconselha o especialista da Pfizer. Para ele, é necessário intercalar vermífugos para que os parasitas não criem resistência ao medicamento.

Para Ribeiro, veterinário da Embrapa, “se você fizer uma vermifugação no início, outra no meio e mais uma no fim das secas é excelente”. Para ele, “o ideal é aplicar o vermífugo e depois fazer um teste de fezes para ver se fez efeito. Se der certo, continua usando o mesmo (vermífugo)”, explica Antônio, sem necessidade de intercalar.

No início das secas os parasitas estão adultos, então se aplica a primeira dose para enfraquecer o verme. As outras duas - no meio e no fim da secura – são para eliminar o parasita evitando que ele solte ovos e contamine o solo durante as chuvas – que é a época de procriação das larvas.


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