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MINHA SOJA FLORESCEU COM PORTE BAIXO. E AGORA?
rev 95 - janeiro 2006

Esta e outras perguntas têm sido feitas pelos sojicultores nos últimos dias, com pertinente preocupação. Sua lavoura, semeada em meados de outubro, mesmo com chuvas abundantes, não cresceu o desejado.

Há pelo menos quatro anos, o assunto é debatido em palestras, congressos e outros meios de comunicação e divulgação. Afinal, por que a soja floresce quando ainda está “baixinha”? Para tentar explicar temos que recorrer a alguns termos técnicos como fotoperíodo, indução ao florescimento e outros.

Já está plenamente estabelecido que a soja é uma “planta de dias curtos”, ou seja, para que ocorra o

florescimento, é necessário que os dias tenham um número de horas de luz inferior a um determinado intervalo, denominado “fotoperíodo crítico”, que em nossa região corresponde a cerca de treze horas. A soja, após a emergência das plantas no solo, começa o seu crescimento vegetativo produzindo um trifólio após o outro. No início desse crescimento, as plantas são ainda insensíveis ao fotoperíodo, porém, geralmente após a emissão do quinto ou sexto trifólio, elas já apresentam maior sensibilidade. Simulando uma situação em que a lavoura tenha sido implantada em primeiro de outubro, para uma cultivar de ciclo precoce (mais sensível), as plantas estariam nesse estádio (com cinco a seis trifólios) por volta do dia 31 do mesmo mês. Nessa época, o comprimento do dia é inferior ao fotoperíodo crítico, podendo haver indução ao florescimento. Se somar a essa situação algum estresse por altas temperaturas; ou ainda, períodos chuvosos, com dias encobertos (pouca luminosidade), adicionando também a utilização de variedades não recomendadas para a região, certamente o risco seria potencializado. Isso significa prejuízo, pois a soja precisa expressar o seu melhor porte, com o maior número de nós possível, para atingir alta produtividade. Portanto, esse é um erro que não pode mais ocorrer. Numa cultura cercada de riscos (climáticos, comerciais, etc), não é mais admitido o luxo de “arriscar”, principalmente quando se está consciente das possíveis conseqüências.

Trabalhos de pesquisa com a cultura, realizados pela Embrapa Agropecuária Oeste, englobando safras boas e ruins, têm demonstrado, a partir dos dados normais de precipitação e fotoperíodo, assim como dos resultados de produtividade, que a melhor época para a semeadura da soja está entre os dias 25 de outubro e 10 de novembro, utilizando-se cultivares precoces.

Uma alternativa para viabilizar a semeadura antecipada da soja seria a utilização de cultivares de crescimento indeterminado, menos sensíveis ao fotoperíodo. Porém, a experiência com esse tipo de material na região não tem sido satisfatória, principalmente pela baixa qualidade dos grãos produzidos, em função de altas temperaturas por ocasião da maturação. No Programa de Melhoramento Genético de Soja da Embrapa, tem-se avaliado várias linhagens com essa característica, mas ainda sem perspectiva de utilização pelos agricultores em curto prazo.

* Marco Antônio Sedrez Rangel é pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste


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