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Disputa EUA x China favorece a soja brasileira

O conflito comercial entre Estados Unidos e China tem o Brasil como principal vencedor. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as lavouras norte-americanas de soja foram reduzidas em 5% em comparação ao último ciclo, marcando 1,7 milhão de hectares plantados. O resultado americano coloca a produção brasileira como líder mundial já no ciclo 2019-2020, com 130 milhões de toneladas contra 128 milhões de toneladas.

Sem negociação com os Estados Unidos, a China buscou no Brasil seu principal fornecedor de soja. Somente em 2018, os chineses importaram 69 milhões de toneladas da oleaginosa, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Esse montante equivale a 84% da produção nacional dessa cultura, registrada em 83,6 milhões de toneladas neste ciclo.

“Para os norte-americanos, os prejuízos com esse conflito devem ficar na casa de US$ 7,9 bilhões. A expectativa é que o país aposte ainda mais no cultivo de milho, que vem registrando altas consecutivas em seu preço, devendo crescer cinco centavos por bushel nesta próxima safra. Com isso, a área cultivada dessa cultura deve crescer 3,3%, chegando a 37,2 milhões de hectares”, explica o coordenador da Expedição Safra, Giovani Ferreira.

Ainda segundo Ferreira, o Brasil não pode se acomodar com esse cenário comercial. Com a volatilidade dos acordos chineses, concentrar quase toda sua produção em um único exportador pode trazer sérios prejuízos ao setor. “É importante que nossas exportações sejam diversificadas. Neste ano a China sobretaxou o frango brasileiro, por exemplo. Buscar acordos com novos centros como a União Europeia é fundamental para a estabilidade da produção nacional dessa cultura”.

Outra questão é a busca de melhora das relações diplomáticas entre Estados Unidos com seus vizinhos México e Canadá. Vale ressaltar que houve estreitamento do comércio entre brasileiros e mexicanos nos últimos anos, com a habilitação de 26 plantas frigoríficas avícolas nacionais para exportação aos hispânicos, além de terem iniciado a importação do milho do Brasil a partir de 2017.

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