Pecuária

Pastagem: reformar ou recuperar? Eis a questão

Por Marcelo Ronaldo Villa* – Várias podem ser as causas da degradação de pastagens. A decisão de reformá-la ou recuperá-la vai depender de uma série de fatores. O manejo inadequado é o que mais contribui para que se acelere esse processo de degradação de pastagens em todo território brasileiro e até em países vizinhos. Quando falamos em manejo, englobamos o manejo do solo (parte química-fertilidade: adubação NPK e calagem; parte-física: compactação, infiltração e conservação), dos animais (quantidade adequada de animais por unidade de área, para evitar que ocorra o super ou subpastejo), da planta (altura correta de entrada e saída dos animais de acordo com a fisiologia de cada espécie/cultivar, oferta de forragem, etc), de pragas, doenças e ervas daninhas.

O principal elemento de decisão entre optar pela reforma ou pela recuperação é o estande forrageiro. Quando se tem uma pastagem onde há pouca quantidade de plantas por metro quadrado, alta infestação por plantas indesejáveis (gramão, ervas daninhas, juquira, etc), solos compactados e dificuldade de rebrota, é necessário que se tome a decisão de reformar. Já em situações onde há grande infestação de ervas daninhas e com plantas debilitadas por falta de nutrientes, recomenda-se a recuperação da pastagem, através da limpeza química ou mecânica da área e a reposição dos nutrientes que estão limitando a produtividade da área através de calagem (aplicação de calcário), adubação química ou orgânica, para repor os macro e micro elementos do solo (Nitrogênio, Fósforo, Potássio, Enxofre, Cálcio, Magnésio, Cobalto, Molibdênio, Boro, Cobre, etc).

Quando a tomada de decisão for pela recuperação da pastagem, o primeiro passo é retirar uma amostra de solo que seja representativa da área, enviar para um laboratório credenciado em fazer a análise de solo. Na sequência, fazer o controle das invasoras, através do método manual ou químico (com a aplicação de herbicidas, principalmente para as de folhas largas) De posse dos resultados da análise do solo, e com a orientação de um profissional habilitado, deverá se fazer as recomendações indicadas para a correção do solo, através da calagem e gessagem. Essa prática deverá ser feita preferencialmente no início do período chuvoso. E, para se elevar a fertilidade do solo, utilizar-se da adubação química ou orgânica aplicada em cobertura e em área total, e deixar a área a ser recuperada descansar por um período compatível para a espécie/cultivar que está implantada.

Na recuperação de pastagem o custo está atrelado principalmente à quantidade de nutrientes a ser reposta ao solo (maior ou menor) e ao grau de infestação de ervas daninhas, intensidade e estágio fenológico em que está a planta daninha, ou se há necessidade de se fazer alguma prática de conservação de solo. Pois quanto maior a necessidade de aplicação de fertilizantes, de herbicidas e de horas/máquina, maior será o custo por hectare.

Quando se tem uma pastagem onde há pouca quantidade de plantas por metro quadrado e alta infestação por plantas indesejáveis, como gramão e juquira, a reforma se faz necessária.

Uma pastagem recuperada produz mais kg de matéria seca/ha, com maior velocidade de retorno dos animais aos piquetes (em caso de sistema rotacionado). A forragem apresenta melhor qualidade (principalmente o teor de proteína bruta) e como a produção animal está diretamente ligada ao volume e qualidade do pasto, consegue-se obter maior taxa de lotação/ha (quantidade de animais por área) aumentando sua produtividade. Se a decisão for pela reforma (remoção da espécie/cultivar), o primeiro passo é o mesmo da recuperação (tirar a amostra do solo e enviar a um laboratório). De posse dos resultados, escolher qual espécie/cultivar será implantada na área (se a mesma ou outra). Definida a espécie/cultivar, o passo seguinte é estabelecer qual método de reforma será utilizado: se o convencional (utilizando-se arado, grade, etc) ou se pelo sistema de plantio direto (utilizando-se de herbicidas para eliminar as plantas já existentes). Em qualquer um dos métodos escolhidos, deve-se fazer primeiro a aplicação de calcário (calagem) para eliminar a acidez do solo e repor os macronutrientes (cálcio e magnésio). Essa operação deverá ser feita em área total a lanço, e com antecedência de pelo menos 90 dias antes do plantio. No momento do plantio (se for por meio de plantio direto) ou pouco antes do plantio no caso de plantio convencional, deverá ser feita a adubação química, que visa a reposição dos nutrientes essenciais e que limitam a produção (Nitrogênio, Fósforo, Potássio, Boro, Cobre, Molibdênio, etc). Após a germinação, se necessário, fazer o controle químico de ervas daninhas e adubação de cobertura com nitrogênio e potássio.

É importante que se faça um bom preparo de solo, seja ele convencional ou através do sistema de plantio direto, pois o solo é o local onde serão depositadas as sementes. Ele deverá oferecer condições favoráveis para uma boa germinação e desenvolvimento das plantas, principalmente do sistema radicular. Igualmente importante é a escolha da espécie/cultivar mais adequada ao solo, clima, manejo e espécie/categoria animal. Escolhida a espécie/cultivar, o produtor deve utilizar sementes de qualidade advindas de empresas que tenham tradição em produzir sementes de pastagens. Evitando, assim, levar sementes com pragas, doenças e pouco vigor, que originará plantas fracas e doentes, comprometendo a vida útil da pastagem. E, também, utilizar equipamentos adequados para semear. Esses equipamentos distribuem de forma homogênea as sementes por toda a superfície do solo, obtendo, dessa forma, um estande bem distribuído de plantas.

É mais racional e inteligente manter-se a pastagem produtiva desde o momento de sua implantação, do que esperar que ela entre em processo de degradação e, com isso, perca o potencial produtivo, levando o produtor rural a ter menor oferta de forragem produzida por hectare e com menor qualidade para os animais. Como consequência, menor taxa de lotação por hectare. Isso significa menor produção de carne ou leite por hectare durante o período em que a pastagem estiver degradada, resultando em menos receita. Não bastasse essa menor receita, o produtor terá ainda que gastar um bom dinheiro para voltar à produtividade adequada. Prejuízo durante o período de baixa produtividade, mais prejuízo para a recuperação.

(*) Marcelo Ronaldo Villa é engenheiro agrônomo do Departamento Técnico Matsuda

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